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Fumo e Fertilidade

Fumo e Fertilidade

Apesar das campanhas antitabagismo em todo mundo, a população fumante persiste em níveis alarmantes. Pesquisas recentes indicam que 30% das mulheres e 35% dos homens em idade reprodutiva são fumantes.

Parar de fumar pode ser extremamente difícil para alguns. Neste aspecto, o desejo de um filho saudável pode ser a razão mais importante para abandonar o vício.

A relação entre fumo e infertilidade está longe de estar incutida na população e ainda é motivo de dúvida entre a classe médica.

Apesar de diversos trabalhos acumularem dados mostrando o efeito adverso do fumo, muitos deles são considerados pouco conclusivos devido à diversidade das populações e métodos estudados.

Mas uma vez aceita a relação entre fumo e fertilidade, podemos considerar que 13% de infertilidade feminina são causados pelo cigarro.

Um recente artigo revela que foram investigadas 15 mil gestações e o tempo que se levou para consegui-las. A percentagem de mulheres que tiveram o intervalo maior que um ano foi 54% maior em fumantes do que em não fumantes.

O percentual também foi superior em fumantes passivos, quando o fumante é o parceiro.

Além disso, a menopausa ocorre de um a quatro anos antes em fumantes se comparados aos não fumantes. A química contida na fumaça do cigarro parece acelerar a destruição de óvulos e consequente perda da função reprodutiva.

Um estudo da Associação de Planejamento Familiar de Oxford, Inglaterra, observa um retorno à fertilidade em ex-fumantes. A reversibilidade do problema indica a correlação entre dose/tempo e a fertilidade e provê uma ferramenta importante para motivação em campanhas antitabagismo.

A possibilidade de causar alterações genéticas no feto também foi relacionada ao fumo. Substâncias provenientes da fumaça de cigarro se ligariam a frações do DNA provocando lesões pré-mutacionais. Os danos ao DNA aumentam a incidência de abortos, defeitos físicos e alguns autores sugerem até aumento dos casos de trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down).

A nicotina e o monóxido de carbono podem levar a insuficiência placentária e retardo no crescimento fetal, culminando em abortamento.

Outro dado estatístico interessante é o aumento da incidência de gravidez tubária, que pode ser 3,5 vezes maior em fumantes do que não fumantes. Um trabalho com hamsters demonstrou uma alteração na função e na mobilidade da trompa, o que levaria a uma dificuldade da captura do óvulo pela trompa (infertilidade) ou no trânsito do embrião até o útero (gravidez tubária).

Em tratamentos de fertilização in vitro (FIV), as mulheres que fumam precisam, em média, de duas vezes mais tentativas para conseguir engravidar do que uma que não fuma.

No momento da retirada do óvulo, comprovou-se a presença de cádmio e cotinina (metabólico da nicotina) no líquido folicular aspirado. As mesmas substâncias foram encontradas em pacientes fumantes passivas.

De acordo com diversos estudos, a quantidade e a qualidade dos espermas também oscila em razão do consumo de tabaco. Uma queda de 22% na concentração foi observada nos fumantes.

Atualmente existem medicamentos que podem ser utilizados para auxiliar o indivíduo a largar o vício. Mas precisam ser prescritos por médicos, que devem acompanhar, permanentemente, seus pacientes. Também há chicletes e adesivos cujo objetivo é, paulatinamente, diminuir o nível de nicotina no sangue.

Tanto medicações quanto adesivos e chicletes podem ser utilizados pela paciente com dificuldade de engravidar, mas só os adesivos e chicletes são indicados para as grávidas. Apesar de infundirem na circulação doses de nicotina, estes níveis nunca são maiores do que o consumo de dez cigarros por dia.

Alguns comentários sobre a relação do tabaco e a reprodução:

– Mais de 20 estudos publicados na literatura médica detalham os efeitos adversos do tabaco na fertilidade;
– O tabaco contém diversas substâncias tóxicas. Estudo feito em ratos mostrou que a nicotina tem efeitos prejudiciais na maturação do ovo, nas taxas da ovulação e nas taxas de fertilização;
– O estudo mostrou também anormalidades cromossômicas nos óvulos expostos à nicotina;
– A reserva ovariana e a quantidade e a qualidade do óvulo são reduzidas nas mulheres que fumam;
– Os fumantes têm números mais baixos de folículos quando estimulados para a fertilização in vitro;
– Os fumantes têm números mais baixos de óvulos recuperados com a FIV;
– Os fumantes têm taxas mais baixas de fertilização dos óvulos in vitro;
– Os abortos espontâneos são mais comuns entre os fumantes;
– Um estudo mostrou que a possibilidade para uma gravidez de FIV era 2,7 vezes mais alta em mulheres que nunca fumaram do que em mulheres que fumam (ou que tenham parado recentemente de fumar). O mesmo estudo mostrou que se a mulher foi fumante pelo menos nos últimos cinco anos a chance de uma fertilização in vitro diminui em 4,8 vezes.
– Há evidências de que o homem sendo fumante existe menos chances de ele ser pai recorrendo à FIV.

Se você fuma, pare. Se você estiver tendo dificuldades para engravidar ou está planejando uma fertilização in vitro, pare de fumar imediatamente.

A fertilidade pode melhorar após parar e as taxas do sucesso de FIV são mais elevadas nas mulheres que não são fumantes do que nas mulheres que fumaram.